Prompt de legenda para Instagram sem cara de texto de IA

Mesa de madeira vista de cima com seis cartões de papel branco em branco dispostos em grade, caneta preta, tesoura e xícara de café ao lado.

No fim deste guia você tem um prompt salvo em arquivo que pega um artigo do seu blog e devolve uma legenda de Instagram que sobrevive à leitura de quem conhece a sua marca. Não um prompt de escreva uma legenda envolvente sobre este texto, que devolve sempre a mesma coisa, mas um com recorte definido, lista de proibições, exemplos seus e um teto de caracteres que a API da Meta aceita sem reclamar.

Recorte o artigo antes de mandar o texto inteiro

O modelo não precisa do artigo completo, e receber tudo piora o resultado. Um texto de 1800 palavras entra, o modelo resume, e a legenda vira o resumo do resumo: correta, vazia e idêntica à que sairia de qualquer outro artigo sobre o mesmo tema.

Mande quatro pedaços. O título, para o modelo saber do que se trata. Os dois primeiros parágrafos, que é onde normalmente está a promessa do texto. Um trecho específico do miolo, escolhido a dedo: o número que você apurou, a mensagem de erro que transcreveu, o caso em que o conselho não vale. E o permalink, porque a legenda quase sempre precisa apontar para algum lugar.

Esse terceiro pedaço decide se a legenda tem o que dizer. Sem ele o modelo só tem o assunto geral, e legenda feita de assunto geral é a mais reconhecível de todas: a que anuncia que o artigo existe sem contar nada do que está dentro dele. Se você não consegue escolher um trecho específico para mandar, o problema não está no prompt, e sim no artigo.

Quando a legenda volta dizendo que o texto traz reflexões importantes sobre o tema, olhe o que você mandou antes de mexer nas instruções. Quase sempre chegou só o título, ou chegou o artigo inteiro e o modelo escolheu sozinho o que era importante, que dá no mesmo.

Troque o adjetivo de tom por uma lista de proibições

Pedir tom descontraído não é instrução, é torcida. Descontraído significa uma coisa para quem escreve sobre viagem e outra para quem escreve sobre WordPress, e o modelo vai escolher a média da internet, que é o pior lugar possível para se buscar uma média. Proibição, ao contrário, é verificável: ou a construção apareceu no texto, ou não apareceu.

As construções que mais entregam legenda de máquina em português são poucas e se repetem:

  • a abertura por pergunta retórica que ninguém faria em voz alta, do tipo já parou para pensar em como o seu blog aparece nas redes?
  • o par de negação e afirmação, não é só sobre publicar, é sobre construir presença
  • o trio decorativo de adjetivos quando os três dizem a mesma coisa
  • o gerúndio pendurado no fim da frase, garantindo mais alcance para o seu conteúdo
  • a frase curta isolada como parágrafo, empilhada três vezes seguidas para criar drama
  • o fecho que pede engajamento sem motivo, e você, o que acha disso?

Onde você escreve essas regras importa tanto quanto o que escreve. A documentação da API da OpenAI é explícita sobre a hierarquia: o parâmetro instructions carrega as instruções de alto nível sobre como o modelo deve se comportar, incluindo tom, objetivos e exemplos de respostas corretas, e qualquer instrução passada por ali tem prioridade sobre o prompt enviado em input. A mesma página ordena os papéis: developer vem antes de user. Regra de marca é conteúdo de instrução do sistema, não de mensagem do usuário, e a diferença aparece justamente nos casos difíceis, quando o artigo empurra o modelo para outro lado.

Se o modelo obedece às cinco primeiras proibições e ignora a sexta, corte a lista em vez de repeti-la com mais ênfase. Dez regras negativas competindo entre si produzem obediência parcial e aleatória. Fique com as cinco construções que você reconhece batendo o olho, porque são as únicas que você vai conseguir conferir depois.

Cole de três a cinco legendas que você já escreveu

Descrever o tom desejado funciona muito pior que mostrar. A documentação de prompt da Anthropic é direta a respeito: exemplos são uma das formas mais confiáveis de dirigir o formato, o tom e a estrutura da saída, e a recomendação numérica é incluir de três a cinco para o melhor resultado. Um exemplo só ensina o modelo a copiar aquele exemplo. Vinte diluem o padrão.

A escolha dos três importa mais que a quantidade. Pegue legendas de tipos diferentes de artigo: uma de tutorial, uma de opinião, uma de anúncio. Se os três exemplos forem do mesmo tipo, o modelo aplica aquela forma a tudo, e o blog inteiro passa a ser anunciado como se fosse tutorial. Diversidade aqui não é enfeite, é o que impede o prompt de ter uma forma única.

O caso em que esta etapa trava é o mais comum de todos: você não tem legendas antigas que queira repetir. Escreva duas à mão, agora, para dois artigos que já estão no ar. Vão sair ruins e demoradas, e ainda assim ensinam mais ao modelo do que qualquer adjetivo. Copiar legendas de um perfil que você admira resolve o problema técnico e cria outro, que é soar como aquele perfil.

Escreva o prompt no formato que você quer receber

A mesma documentação da Anthropic registra que o estilo de formatação usado no prompt influencia o estilo da resposta, e sugere aproximar um do outro o máximo possível: tirar o markdown do prompt reduz o volume de markdown na saída.

Na prática isso significa que um prompt escrito em lista de tópicos, com títulos em negrito e subitens, tende a devolver legenda em lista de tópicos. Ninguém pediu bullets, mas o formato do pedido virou o formato da resposta. Se a legenda que você quer é um bloco de prosa corrida com três parágrafos curtos, escreva o prompt como prosa corrida em três parágrafos curtos.

Quando aparecer um padrão que você não pediu, e emoji no começo de cada linha é o caso clássico, procure primeiro nos exemplos da etapa anterior e depois na formatação do seu prompt. Regra explícita contra um padrão que os exemplos ensinam é uma briga que os exemplos costumam vencer.

Prenda o tamanho aos números que a Meta aceita

A referência de criação de contêiner de mídia do Instagram é específica sobre o campo de legenda: máximo de 2200 caracteres, 30 hashtags e 20 menções com @. São tetos da API, não sugestões editoriais, e quem estoura qualquer um deles descobre no momento em que a publicação falha, não no momento em que a legenda é escrita.

Peça ao modelo um alvo bem abaixo do teto e trate o número como orientação, não como garantia. Modelos contam caracteres mal, porque não enxergam caracteres, e a instrução de escrever no máximo 600 caracteres volta com 780 sem nenhum aviso. A medição confiável é feita depois, fora do modelo, em qualquer contador ou em duas linhas de código. O mesmo vale para as 30 hashtags: se o seu prompt pede um bloco de hashtags e o artigo é sobre um assunto com vocabulário grande, o modelo passa do limite com facilidade.

O teto de menções pega as agências desprevenidas. Vinte parece muito até a legenda precisar citar cliente, parceiro e fonte na mesma publicação. Se a sua rotina inclui marcar gente, ponha o limite no prompt: a resposta da API não é um aviso gentil, é a criação do contêiner sendo recusada.

Teste a legenda antes de ela virar post

A primeira é o teste da troca. Substitua o nome da sua marca e o assunto do artigo pelos de outro qualquer. Se a legenda continuar fazendo sentido, ela não estava falando do seu artigo, estava falando do gênero dele. É o mesmo defeito da etapa do recorte, aparecendo no fim do processo.

A segunda é o teste da primeira linha. Leia só a primeira linha e pergunte se ela diz alguma coisa ou se anuncia que vai dizer. O feed corta a legenda atrás do mais, e o que ficou visível é tudo que a maioria das pessoas vai ler. Uma primeira linha que promete conteúdo em vez de entregar conteúdo desperdiça o único pedaço garantido.

A terceira é ler em voz alta. Construção de máquina sobrevive bem à leitura silenciosa e trava na falada, porque o ouvido reclama de coisas que o olho aceita. Frase que você não diria a um cliente no telefone não deveria estar assinada pela sua marca.

Detector automático não decide isso por você. A própria OpenAI aposentou o classificador que lançara para identificar texto de máquina, indisponível desde 20 de julho de 2023 por causa da baixa taxa de acerto, e a empresa reconheceu na época que a ferramenta às vezes se mostrava extremamente confiante em uma previsão errada. Quem lê a sua legenda também não roda detector nenhum: a pessoa reconhece o padrão ou não reconhece, e essa é a única medida que interessa.

Rodar esse processo uma vez é fácil. Rodar a cada artigo, com o mesmo prompt e as mesmas proibições, é onde a rotina morre: o prompt acaba morando no histórico do navegador de uma pessoa e cada artigo sai com uma versão ligeiramente diferente. Guardar a configuração no próprio site resolve isso, e é o que o Post Ping faz com o provedor, o tom de voz e as instruções extras da marca, que ficam salvos e valem para todo artigo publicado, com a opção de receber a legenda por e-mail e aprovar antes de ela ir para o ar.

Quem está começando agora por esse caminho encontra o panorama em como um artigo vira legenda de Instagram escrita por IA. E a legenda não é a única coisa que denuncia automação: o card que acompanha o post entrega tão rápido quanto o texto.

A conferência que fecha o ciclo é feita depois de publicar, e poucas pessoas fazem. Abra o post no aplicativo, no celular, e leia a legenda com o card ao lado, do jeito que o seu leitor vai ler. Confira se a primeira linha cortada ainda diz algo, se o número de hashtags bate com o que você pediu e se o link está apontando para o artigo certo. Faça isso nos três primeiros artigos que saírem pelo prompt novo: se os três passarem nas três conferências, o prompt está pronto para sair da sua frente.

Este blog publica sozinho nas redes

Cada artigo daqui vira post no Instagram e no Facebook automaticamente: legenda escrita por IA, card visual gerado na hora. Quem faz isso é o Post Ping, o mesmo plugin que você pode instalar no seu WordPress.

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