Migração do Linktree para o WordPress sem perder um link

Mão segurando um celular na vertical com a tela apagada, diante de uma cafeteria desfocada e o tampo de uma mesa de madeira clara

No fim deste passo a passo você tem a página de links rodando no seu próprio domínio, com todos os links que existiam no Linktree, na mesma ordem, e o endereço antigo levando para ela sem que quem clica perceba a troca. O trabalho pesado está na lista, não na página: o Linktree não tem botão de exportar links, e quem migra de memória esquece dois ou três pelo caminho.

Extraia a lista completa antes de mexer em qualquer coisa

O Linktree exporta números de audiência, e a lista de links não está entre eles. Na aba de Insights, na área de atividade do perfil, dá para baixar cinco arquivos CSV: atividade (visualizações, cliques e taxa de clique), cidades, países, dispositivos e origens de tráfego. A exportação é recurso de plano Premium, e nenhum dos cinco arquivos traz os endereços de destino que você cadastrou.

A lista, porém, já é pública, e está na sua própria página. O Linktree entrega a página com os dados embutidos num bloco JSON chamado __NEXT_DATA__, e é de lá que o navegador monta os botões. O teste numa página pública, em setembro de 2026, deu isto: 92 KB de HTML, 21 URLs dentro do JSON e nenhuma tag <a href="https://..."> apontando para os destinos. É por isso que salvar a página como HTML, ou passar nela um extrator de links comum, devolve quase nada.

O caminho curto é ler o JSON direto:

curl -s https://linktr.ee/SEU_USUARIO | grep -o '"url":"https[^"]*"'

Dentro desse JSON, o caminho props.pageProps.links traz um objeto por link, com o título que aparece no botão e a URL de destino. Um pouco adiante, em props.pageProps.account.links, os mesmos itens aparecem com dois campos a mais: position, que é a ordem na página, e type, que distingue um link comum dos blocos especiais. Guarde a ordem junto com os endereços, porque ela também faz parte do que você está migrando.

Registre quatro coisas por link: o título exatamente como aparece no botão, o endereço de destino inteiro com os parâmetros de campanha que já estiverem nele, a posição na página e os cliques dos últimos doze meses. As duas primeiras saem do JSON, a terceira também, e a quarta é o assunto do passo seguinte.

Quando o comando falha, quase sempre é por um destes dois motivos. O primeiro: o nome da chave mudou. A página é um aplicativo em Next.js e o formato desse JSON é assunto interno do Linktree, que pode mudar sem aviso nenhum. Nesse caso, abra a página no navegador e use o botão direito em cada botão para copiar o endereço do link, já que aí você está lendo a página montada, não o arquivo cru. O segundo motivo é mais traiçoeiro: link agendado, link pausado e link atrás de aviso de conteúdo sensível não aparecem no JSON público. Eles existem só no painel, e são justamente os que somem sem ninguém notar, porque ninguém sente falta de um botão que já estava invisível.

Descubra quais links ainda recebem clique

Migrar tudo é o objetivo; migrar tudo na mesma ordem, não. A ordem antiga foi decidida por um motivo que talvez não valha mais, e isso só aparece nos números.

No painel do Linktree, abaixo da URL de cada link, existe um ícone de gráfico que abre os dados daquele link em particular. Num plano pago você escolhe um intervalo personalizado de até 365 dias, e o recurso está disponível nos planos Starter, Pro e Premium. O CSV de atividade do perfil, esse restrito ao Premium, tem a fatia de origens de tráfego, que responde a outra pergunta: se a sua página de links recebe gente do Instagram, do TikTok ou de dentro do seu próprio site. Uma página que recebe metade do tráfego de dentro do próprio site virou menu de navegação, e talvez o lugar dela nem seja a bio.

Doze meses é o intervalo certo para essa leitura porque ele mostra o clique concentrado. Um link com trezentos cliques, todos em novembro, é campanha encerrada. Um link com cinquenta cliques espalhados por doze meses é link vivo, e merece subir na página nova.

Duas coisas atrapalham essa medição. Um link recriado em vez de editado começa com identificador novo e histórico zerado, então zero clique pode significar apenas que alguém refez o botão em março. E, no plano gratuito, o seletor de intervalo personalizado não está lá, o que muda a medição de retrospectiva para prospectiva: marque os destinos da página nova com parâmetros de campanha e leia o resultado no seu próprio analytics daqui a trinta dias.

Seja qual for o número, link com zero clique vai para o fim da página nova, nunca para o lixo. Zero clique costuma ser sintoma de nona posição, não de link ruim.

Monte a página no WordPress e congele o endereço dela

Crie uma página, não um post. E decida o slug uma vez só, porque o WordPress não vai te dar segunda chance nesse ponto específico.

Existe um mecanismo de resgate no núcleo: quando uma URL cai em 404 e a consulta ainda carrega o nome do conteúdo, a função wp_old_slug_redirect() procura o slug antigo daquele item e devolve um 301 para o endereço atual. Ela simplesmente não vale para páginas. A primeira coisa que a função faz é verificar se o tipo de conteúdo é hierárquico e, se for, sair sem redirecionar nada. Página é hierárquica. Num tópico do fórum de suporte do WordPress a resposta a essa mesma dúvida vem em uma linha: o núcleo do WordPress só suporta redirecionamento para tipos de conteúdo não hierárquicos, ou seja, para posts, não para páginas.

Traduzindo para a sua situação: se daqui a seis meses você trocar /links por /bio, todo QR code impresso, todo print salvo e toda legenda antiga que aponta para o endereço velho passa a cair em 404, em silêncio, sem nada no painel avisando.

Há uma segunda armadilha no mesmo passo. Se o slug que você quer já estiver em uso, o WordPress não recusa a publicação nem mostra alerta: a função wp_unique_post_slug() devolve o mesmo nome com um sufixo numérico, -1, -2 e assim por diante. No caso das páginas, a checagem de conflito acontece dentro da mesma hierarquia de pai. Você publica esperando /links e descobre /links-2 depois de já ter colado o endereço na bio. Olhe o endereço final na barra do navegador antes de sair copiando.

Pelo mesmo motivo, não pendure a página de links como filha de outra página. O caminho de uma página hierárquica inclui o caminho do pai, então mudar o pai muda a URL inteira, e aqui também não existe resgate automático.

Se a página responder 404 logo depois de publicada, salve novamente os links permanentes nas configurações do WordPress antes de procurar defeito no tema. As regras de reescrita são regravadas nesse momento, e é o conserto mais provável.

Montar a página é trabalho de uma tarde. Mantê-la é que volta toda semana: cada artigo publicado pede um link novo lá em cima, e é aí que a página começa a atrasar em relação ao blog. O Post Ping ataca essa parte gerando a página de link na bio dentro do seu domínio a partir dos artigos que você já publica, com a lista se refazendo a cada publicação, enquanto os links fixos que você cadastrou seguem no lugar. O funcionamento está descrito em recursos do plugin, e a discussão mais larga sobre por que o endereço importa está em alternativa ao Linktree começa por ter domínio próprio.

Aponte o Linktree antigo para o endereço novo

O Linktree tem um recurso chamado Redirect que existe para exatamente isso. Ele passa por cima da sua página e manda quem chega direto para uma URL escolhida, por um período que você define. Você cria o link, abre o menu dele, liga o modo de redirecionamento e marca a data e a hora em que ele se desliga sozinho. O tráfego continua sendo contado nos números do perfil, e existe um botão para desativar o redirecionamento antes do prazo. O recurso está nos planos Starter, Pro e Premium, e as diferenças entre eles estão detalhadas em o Linktree é pago.

Marque a data com folga. Três meses é razoável, porque a URL antiga não vive só na sua bio: ela está em legenda de post antigo, em assinatura de e-mail, em cartão impresso e no perfil de quem já te divulgou. Desligar o redirecionamento em duas semanas é apagar todo esse tráfego residual de uma vez.

No plano gratuito o Redirect não existe, e a saída é usar a própria página como placa. Deixe um único link no topo, com o título dizendo para onde ele leva, e vá removendo os outros ao longo de duas ou três semanas em vez de esvaziar tudo num dia. Também não apague a conta no primeiro dia: enquanto ela existir, aquele endereço continua sendo seu e continua funcionando como ponte.

Só depois que a página nova estiver publicada, testada e respondendo, troque a URL na bio do Instagram. Fazer isso antes transforma qualquer erro de configuração em tráfego perdido no meio do caminho.

O jeito mais comum de esse passo dar errado é o redirecionamento expirar na data marcada sem ninguém notar, porque quem administra o perfil raramente é quem tem a senha do Linktree. Anote a data de expiração no mesmo lugar onde você anota o vencimento do domínio, não num bilhete solto.

Verifique, link por link, que nada se perdeu

Primeiro, o confronto das duas listas. Salve os destinos antigos num arquivo e os da página nova em outro e compare os dois: diff <(sort antigos.txt) <(sort novos.txt). Qualquer endereço que apareça de um lado só é um link perdido ou um link inventado, e os dois casos merecem explicação.

Segundo, o estado de cada destino. Aproveite que a lista está pronta e verifique se os endereços ainda respondem: curl -o /dev/null -s -w "%{http_code} %{url_effective}\n" -L URL. Migração é a hora em que se descobre que dois daqueles botões apontavam para páginas mortas havia meses, porque ninguém clica em botão para conferir se ele funciona.

Terceiro, o teste no aparelho certo. Abra a página nova pelo navegador de dentro do Instagram, tocando no link do perfil, e não no computador. É esse navegador que a maioria das pessoas vai usar, e é nele que fonte pequena, imagem pesada e botão colado no rodapé aparecem como realmente são.

Quarto, o endereço antigo. Abra a URL do Linktree e confirme que ela chega na página nova.

Uma semana depois, volte ao seu analytics e compare os cliques da página nova com o número que você anotou no passo dois. Se ele estiver muito abaixo, procure fora da lista: algum perfil, em alguma rede, continua apontando para o endereço antigo e passou despercebido na troca.

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